Conhecendo Marianna

História da Gisa

“Saí do lugar de coitadinha e de autocomiseração e comecei a receber o amor das pessoas e o mais importante o amor de Deus."

Aos sete anos de idade eu tinha certeza de que Deus não me amava, pois sofri abuso sexual. Ah, eu era apenas uma garotinha que sonhava em ganhar uma bicicleta do Papai Noel no natal. Lembro-me que nesta época, tudo desmoronou dentro de mim.

 

Eu não podia contar para ninguém, pois era ameaçada a cada abuso. Isso durou algum tempo e cada vez que eu era abusada, só pensava em morte. Eu achava que não ia sair viva daquele momento de dor.

Quem fez isso comigo foi um familiar, que deveria me proteger, mas fazia o contrário, estava me ferindo fisicamente e emocionalmente. Foram dias de escuridão e angústia, literalmente.

Eu passei a ter medo de tudo e de todos, passei a culpar minha mãe, por me deixar sozinha ao ir trabalhar.
Mas não para por aí. Fui abusada por uma segunda pessoa também da família e a partir daí já não tinha mais esperanças de dias melhores.

Passei a acreditar que eu nasci para ser ABUSADA, HUMILHADA E MALTRATADA, pois ninguém me amava nem me protegia, apenas me faziam mal. Era uma dor inexplicável, era uma dor somente minha que eu não poderia e não conseguia compartilhar com ninguém, pois tinha muito medo se ser exposta e das ameaças se concretizarem.

 

Quando completei 17 anos, saí de casa e fui morar com um tio. Nesse lar aprendi como era verdadeiramente viver em família, aprendi valores, me senti amada, acolhida, valorizada e melhorei minha autoestima. Ganhei mais quatro irmãos de coração, ganhei um pai e uma mãe, vivi uma das melhores fases da minha vida.

 

Tinha um emprego excelente, comecei a faculdade de Educação Física que eu tanto sonhava e tudo estava caminhando muito bem até o dia que uma tia fez meu sonho congelar. Ela criticou a faculdade que eu estava fazendo e logo desisti dos estudos.

 

Fui abusada pela terceira pessoa e a partir daí eu já tinha a certeza de que Deus não existia, pois ele permitiu isso acontecer comigo várias vezes, por três pessoas diferentes.

 

A depressão aumentou e as crises fortíssimas de síndrome de pânico também. Vivi por anos a base de remédios tarja preta. A dor que eu sentia era tão grande que minha alma gritava e passei a ter pensamentos suicidas e algumas vezes até planejei minha morte.

 

Eu chorava diariamente, me tornei uma pessoa triste, não conseguia dormir, passava as noites em claro.  Recebi a ajuda de uma pessoa da igreja que foi meu alicerce, mas foi por pouco tempo, pois ela se mudou de país. Voltei a me sentir enjaulada, sem ninguém para dividir minha dor e voltei à estaca zero.

 

Casei-me com Flávio, presente de Deus na minha vida. Deus sabia que eu precisava de um homem calmo, tranquilo e muito companheiro e me mandou ele.

POR ANOS TIVE A CERTEZA DE QUE NUNCA IRIA CONSEGUIR ME RELACIONAR COM HOMENS, POIS TINHA TRAUMA DELES, ACHAVA QUE TODOS ERAM MAUS, COVARDES E IRIAM ME MACHUCAR. NA VERDADE, EU ME SENTIA SUJA, CULPADA E TINHA NOJO DE MIM MESMA POR TER SIDO ABUSADA.

Meu esposo passou momentos difíceis ao meu lado e nunca me abandonou, nunca desistiu de mim, cuida de mim com tanto amor e carinho. Tivemos nosso filho e eu não conseguia me imaginar sendo mãe.

 

Tive uma gravidez bem delicada. Passava muito mal com enjoos, crises de pânico e depressão pós-parto. Mais uma batalha estava sendo travada. Procurei ajuda de psicólogo e psiquiatra e estabilizamos o quadro.

 

Quando meu filho completou dois anos, comecei a procurar emprego. Andrea me ligou e agendou uma entrevista em sua empresa. Na entrevista já senti que havia algo diferente nela. Comecei com o cargo de Auxiliar de Confeitaria, depois Vendedora e em apenas 10 meses já me tornei Gerente.

 

Fiquei muito feliz pela confiança depositada em mim em tão pouco tempo. Porém, eu ainda andava de cabeça baixa, não conseguia olhar nos olhos das pessoas, não acreditava em mim e achava que ninguém gostava de mim. Com o novo cargo, pude me aproximar ainda mais de Andrea.

Minha alma ainda gritava com uma dor insuportável, as crises de pânico reapareceram, a depressão piorou e os pensamentos suicidas voltaram. Andrea começou a me ajudar, porém, eu estava fechada, já não confiava mais em Deus e nas pessoas.

Mas, dessa vez, foi diferente. Andrea, aos poucos, me fez entender que havia uma solução, que existia cura emocional. Ela me ensinou que com a mudança de mente e algumas escolhas e decisões, eu poderia vencer a depressão e voltar ao comando do barco de minha vida.

 

Então, agarrei aquela oportunidade e decidi buscar minha cura, comecei a me desenvolver em várias áreas e passei a acreditar que minha vida poderia melhorar.

 

Andrea me ensinou como substituir os pensamentos tóxicos por pensamentos saudáveis e a olhar para minha história de forma diferente, aprendendo com a dor. Tirei o foco dos pontos negativos e comecei a entender que havia uma luz, havia uma esperança!

 

Saí do lugar de coitadinha e de autocomiseração e comecei a receber o amor das pessoas e o mais importante o amor de Deus. Passei a olhar para minha história com gratidão e não com dor e muitas coisas mudaram na minha vida.

 

Hoje, me tornei uma pessoa melhor e bem diferente daquela menina cheia de medo e mágoa no coração, consegui perdoar as pessoas que me fizeram tanto mal! Equilibrei as emoções distorcidas que havia dentro de mim, e aceitei a minha história exatamente como ela é.

PAREI DE LUTAR COM MEU PASSADO. EU AGI E TRANSFORMEI MINHA MENTE! ENTENDI QUE TUDO QUE PASSEI FOI PARA UM PROPÓSITO. A PARTIR DAÍ, CONSEGUI SER GRATA PELA MINHA HISTÓRIA E HOJE AJUDO MULHERES QUE PASSARAM POR TUDO QUE PASSEI.

A cicatriz faz parte de mim, de nós, ela nos ensina, deixa uma marca, uma história, mas não para nos matar e sim para nos fortalecer! A cicatriz de tudo que passei existe, mas não há dor, não há mais ferida aberta! Eu parei de questionar Deus sobre o por que da minha história e comecei a perguntar o para quê, como Andrea ensina. Essa mudança trouxe cura e compreensão!

 

Entendi que eu decido o que fazer com a minha história! Acredito que fomos criados para receber amor, mas devido as nossas feridas não sabemos receber este amor. GRATIDÃO à Andrea, à sua missão de vida e a cada aprendizado que tive e tenho com ela.

Meu nome é Gisa e eu também Marianna!

Sobrevivente de abuso sexual.

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