Acessando Memórias

Ep.18: Acessando Memórias | Vômitos, dores e irritabilidade.

Algo estranho, uma sensação ruim. Marianna sentia uma mistura de nojo, medo, sentimento de culpa. A vida parecia ter se transformado em algo impossível daquele momento em diante.

Acordou cedo para ir ao trabalho, mas mal conseguia andar pela casa. Foi até o banheiro, sentou-se próxima ao vaso sanitário e vomitou compulsivamente.

 

Marianna sempre foi muito responsável, logo imaginou que precisaria melhorar para não faltar ao trabalho. Voltou a se deitar um pouco e fez nova tentativa em tomar banho, colocar uma roupa e estar no shopping quando a loja abrir. Conseguiu tomar o banho, mas desta vez uma dor enorme na barriga fez com que voltasse ao banheiro.

 

Deitada ligou para dona Silvia e explicou que não estava bem. Dona Silvia falou para Marianna não se preocupar com o trabalho naquele dia, deveria ficar em casa e descansar.

 

Neste momento, dona Elisabete bate na porta e pergunta à Marianna se está tudo bem. Aquela boa senhora, dona da quitinete alugada por Marianna. 

Foi difícil atender, mas andando devagar conseguiu destrancar a porta. 

– “Nossa minha menina! Você está com uma cara péssima.” 

– “É, não estou bem, tenho me sentido irritada, chorona, com dores de cabeça e hoje mais essa! Vômitos com dores abdominais.” 

-“Você precisa fazer alguns exames e ver o que está acontecendo. Mas já vou lhe adiantar que tenho percebido você trabalhar muito, não come direito, não sai para passear… Ahhh teve aquele único dia que você foi passar o final de semana com sua patroa.” 

– “Nem fala! aquele final de semana está rendendo. Eu conversei com dona Silvia sobre minha família e ela me aconselhou a fazer terapia.” 

– ‘Sim, você chegou mais tarde, estava na terapia?”

– “Eu fui sim, foi bom, contei muita coisa. Mas agora, eu queria mesmo era voltar a esquecer tudo isso. Tenho chorado muito.”

– “Eu sei como é, uma amiga do bingo outro dia me contou que a filha dela começou terapia e foi ficando pior do que já estava, resolveu parar. Acho que você deveria fazer o mesmo.”

– “Sério dona Elisabete, será que este é meu caso? Realmente eu me senti bem ao contar para psicóloga tudo o que eu não tinha coragem de falar para outras pessoas, porém depois comecei a me sentir mal.” 

– “Precisa ver minha menina, porque ficar assim como você está realmente é bem pior. Vou preparar um mingau de aveia para você se alimentar um pouco, e hoje você não irá sair desta cama. Vou fazer uma sopinha bem gostosa para seu almoço.”

 

Marianna olhou para dona Elisabete, com a voz embargada de choro agradeceu o carinho.

– “Eiii Marianna, paraaa, eu amo você, ainda não entendeu isso?”

 

– “Você é o anjo que Deus colocou em minha vida, é como se eu tivesse minha vozinha por perto.” 

– “E cuidar de você é como ter a oportunidade de cuidar da minha filha que já se foi.”

 

As duas choraram, limparam as lágrimas e se abraçaram por um tempo. 

Quando a bondosa senhora se foi, Marianna ficou pensando na dificuldade em receber carinho e aceitar um abraço, mas estranhamente se sentiu bem com o abraço de dona Elisabete.

Acessando Memórias Traumáticas

Autora: Sandra Barilli

Referência: Sigmund Freud

Ep. 18

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