Elaboração e Cura

Ep.10: Elaboração e Cura | A psicanálise cura?

Marianna é convidada por sua gerente para passar dois dias em uma pousada descansando. Em uma conversa íntima e reveladora, nasce uma conexão que mudará a vida de Marianna para sempre.

A buzina do carro tocou pela manhã bem cedo na porta da casa da dona Elisabete. Era sábado, um dia lindo! A vizinha querida gritou enquanto subia as escadas, “Marianna anda rápido”. Marianna se despediu e correu entrando no carro.

Um pouco tímida pensava: “Como assim, dona Silvia, a gerente da loja me levando para um final de semana na pousada? O que vou conversar, o que vou comer, por que eu?”. Eram muitas as perguntas que ressoavam na cabeça de Marianna.

A chefe se simpatizava com ela muito mais que pudesse imaginar. O convite foi em busca de uma boa companhia para a viagem de carro e para curtir um tempo na pousada localizada no campo.
Enquanto dirigia, Silvia inicia o bate-papo:

“Marianna me fala um pouco sobre você? Eu já convidei algumas das agentes de vendas da loja para passar o final de semana comigo. Eu gosto do vínculo com as colaboradoras e observo que você não tem sua família aqui, é isso?”
.

“Sim”, respondeu Marianna. Embora tímida, gostava de conversar, quando iniciava não parava mais.

“Meu pai está em uma clínica, ele foi diagnosticado com esclerose múltipla. Minha mãe se casou novamente após a separação, mora no interior e minha única irmã, mais nova se casou, foi para outro país e se afastou da família”.

“A pessoa que eu mais amava era minha vó Berna, ela me ensinou muita coisa, morou conosco até meus 8 anos de idade. Vovó faleceu e eu sofri muito. Ela possuía uma cultura oriental, sempre sensata me contava lindas histórias. Me ensinou a arte do origami.”
“Eu moro sozinha, me sinto culpada, estranha. Procuro ser simpática para não decepcionar as pessoas. Me vejo como fracassada e solitária. Desde criança, parece que existe algo errado comigo.”
Silvia ficou séria por alguns instantes e disse:
   
“Agora compreendo minha simpatia especial por você, eu precisei de anos de terapia para dar conta das minhas memórias, sentimento de fracasso e minha baixa autoestima.”

“Ah dona Silvia, não gosto das minhas memórias de infância, me sinto culpada.”

“Eu também me sentia assim Marianna, temos muito o que conversar.”

A pousada era muito aconchegante em formato de chalés. Animadíssima, Silvia mal colocou as malas no quarto e como uma criança saiu pulando rumo a um belo lago. Mariana acompanhou. Já sentadas confortavelmente, pediram um suco de frutas. Fatalmente voltaram ao assunto que se estendeu até o pôr do sol.

“Resolver é uma afirmação muito forte, mas posso dizer que renasci”. 

Abraçando Marianna, Silvia caminhava lentamente para a pousada, os pês afundavam na grama. Mariana não se sentiu confortável porque não gostava de aproximação física, mas por um instante parecia sentir um vínculo que parecia ser verdadeiro. Marianna percebeu transparência por parte da sua chefe.

MUITAS PESSOAS NÃO PROCURAM AJUDA DE UM PSICÓLOGO POR NÃO ACREDITAREM NA EFICÁCIA DO TRABALHO, ATÉ PORQUE O PROCESSO É LENTO E EXIGE ESFORÇO POR PARTE DO PACIENTE. MUITOS PROCURAM, MAS NÃO SE SENTEM CONFORTÁVEIS EM FALAR SOBRE QUESTÕES TÃO INTIMAS.

Elaboração e Cura

Autora: Sandra Barilli

Referência: Sándor Ferenczi

Ep. 10

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