O desmentido

Ep.08: O Desmentido | Que raiva!

A irmã de Marianna tinha boas relações com sua mãe. Marianna era o oposto, sentia algo ruim ao lidar com a mãe.

Marianna é a filha mais velha, sua única irmã mora na Espanha e tem pouco contato com a família. Ela é um pouco mais ligada à mãe. Diana, sua irmã, parecia ser manipulada. Sempre que a mãe se fazia de vítima, a filha caçula tomava partido cegamente. Marianna ficava com ódio em ver a cena da mãe coitadinha e da filha que se doía.


Aliás, aí está uma coisa que Marianna não entende: porquê nunca conseguiu gostar da mãe. Quanto ao pai, sentia pena e em alguns momentos, raiva. Se lembra com frequência de um episódio em que os adultos estavam jogando cartas à beira da piscina e um garoto jogou uma bola que acertou com certa força na cabeça de Marianna. O pai olhou e disse:


Ahh… não foi nada, acidentes acontecem”.


Ele falou isso para que o pai do menino que também jogava cartas não se sentisse mal. Mas naquele momento ela se perguntou:

“E eu, não importa que minha cabeça esteja machucada, para que o garoto seja protegido, eu devo ficar desprotegida?”
.


A mãe se levantou e foi ao encontro de Marianna, porém ela não permitiu que a mãe tocasse na cabeça dela. Engoliu o choro e se levantou rapidamente até o banheiro para chorar sem que ninguém pudesse ver.

Em muitos casos de pessoas que passaram pelo trauma do abuso sexual na infância, assim como marianna, não conseguem compreender o fato de sentir mais raiva de quem deveria ter protegido do que de quem executou o abuso. no momento em que acontece a ação abusiva, ocorre o que chamamos de PRIMEIRO TRAUMA.

Quando a criança é protegida imediatamente após o abuso, as consequências, ou seja, o adoecimento mental, pode ser reduzido consideravelmente.

NO MOMENTO EM QUE A CRIANÇA NÃO É PROTEGIDA DO ABUSADOR, VAMOS COMPREENDER QUE OCORRE O SEGUNDO TRAUMA. OS AUTORES AFIRMAM QUE O SEGUNDO TRAUMA PODE SER TÃO INTENSO OU MAIOR QUE O PRIMEIRO. ELE CAUSA A SENSAÇÃO DE DESAMPARO, SENSAÇÃO DE NÃO TER VALOR.

O Desmentido

Autora: Sandra Barilli

Referência: Sándor Ferenczi

Ep. 08

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